O impacto da generativa na educação: um desafio que já está entre nós



Depois de ler o texto de Lucia Santaella sobre os desafios da inteligência artificial generativa na educação, não conseguimos mais olhar para o ChatGPT (e tecnologias semelhantes) da mesma forma. É como se, de repente, algo que já estava no nosso dia a dia, mesmo que de forma meio “mágica” ou misteriosa,  ganhasse um contorno muito mais sério e profundo.

O que a autora nos mostra com muita clareza é que estamos diante de uma tecnologia que já está mudando práticas educativas,  nós gostando ou não. E o mais interessante é que, ao contrário de outras inovações tecnológicas que chegaram de forma mais discreta, como foi o caso dos ambientes virtuais de aprendizagem ou até da internet nas salas de aula, o ChatGPT apareceu de forma direta, falante e acessível. Ele conversa, explica, propõe e escreve com uma naturalidade impressionante. Isso muda completamente a forma como lidamos com a informação e o conhecimento.

Algo que nos chamou atenção foi a reação das instituições à chegada da IA generativa. Santaella descreve bem esse movimento inicial de proibição, bloqueios em redes escolares, alertas em universidades, medo de plágio. Entendemos esse medo, mas como a autora aponta, o problema não é simplesmente o uso ou não da ferramenta, e sim o que ela revela sobre as nossas fragilidades pedagógicas.

Ficou claro pra gente que ainda estamos presos a um modelo de ensino que não acompanhou totalmente a transformação digital. A IA generativa escancarou isso. Enquanto muitos alunos já usam essas ferramentas com certa naturalidade, parte dos professores ainda não sabe como lidar com elas, seja por falta de formação, de estrutura ou até de tempo para entender o que está acontecendo. Essa diferença de ritmo precisa ser enfrentada.

O texto nos fez refletir também sobre o papel do professor nesse novo cenário. A autora  traz a ideia de que não faz mais sentido sermos “guardiões da informação”, porque a informação já está em todo lugar. E é verdade. Com o ChatGPT e outros modelos de linguagem, os estudantes têm acesso a respostas imediatas para quase tudo. Mas isso não significa que o nosso trabalho perdeu valor. Pelo contrário: nossa função agora é ajudar os alunos a desenvolverem pensamento crítico, saberem questionar, comparar, desconfiar, aprofundar.

E é aí que o uso da IA pode se tornar um aliado, se for bem mediado. As chamadas “alucinações” do ChatGPT,  respostas que parecem verdadeiras, mas não são,  podem ser oportunidades didáticas. Podemos trabalhar esses erros em aula, discutir o porquê de eles acontecerem, mostrar a importância de checar fontes, contextualizar dados. É um exercício de pensamento crítico que se encaixa bem com os objetivos formativos que defendemos.

Também concordamos com Santaella quando ela diz que não adianta tratar essas ferramentas como vilãs ou soluções milagrosas. É preciso olhar para elas com complexidade. A IA pode ajudar a personalizar o ensino, automatizar tarefas burocráticas, gerar ideias. Mas também pode reforçar desigualdades, disseminar informações falsas e ser usada de forma preguiçosa por quem quer apenas “fugir” do processo de aprendizagem. Por isso, mais do que regras prontas, precisamos construir políticas e práticas pedagógicas que façam sentido no nosso contexto.

Não podemos esquecer que estamos num país onde muitos professores lidam com sobrecarga, falta de estrutura e baixa valorização. Falar em “uso pedagógico da IA” sem considerar essas condições é desonesto. Por isso, achamos importante a proposta da autora de pensar soluções contextualizadas, acordadas dentro das comunidades escolares e universitárias. Cada realidade vai exigir um tipo de estratégia.

No fim das contas, o que fica da leitura é um chamado à responsabilidade. Não temos mais tempo pra fingir que essas tecnologias não existem. Elas estão aí, e os alunos já estão usando. Se não nos envolvermos na discussão, corremos o risco de perder a chance de fazer com que a IA realmente contribua para uma educação mais crítica, mais criativa e mais justa.


Esperamos que tenham gostado do nosso ponto de vista sobre a temática, deixem seus comentários sobre, até próxima semana! :) <3

- Karine Fraga e Lorrane Celina.

Comentários

  1. Muito bem meninas, vocês realizaram uma boa reflexão relacionado a esse tema que é tão importante no nosso meio, tanto como estudades quanto futuras pedagogas. De fato os professores se encontram em um cenário muito escasso quando relacionados ao conhecimento tecnológico e estrutura do ensino escolar com base nesses recursos, se fazendo necessário mudanças nas metodologias e a formação profissional. Pois de nada adianta a escola fornecer computadores para uso dos alunos nas práticas escolares como pesquisas, se os docentes não estão preparados para auxiliar e com isso eles optam por realizá-las em qualquer site que não são confiáveis, ou preferem por pesquisas no "ChatGPT" por ser mais rápido e trazer respostas que eles consideram confiáveis, o que poupa o tempo desses alunos na realização dessas atividades.

    ResponderExcluir
  2. Achei esse texto simplesmente incrível! A leitura de Santaella realmente nos tira da zona de conforto e mostra que a IA generativa não é só uma ferramenta, mas um espelho das nossas práticas pedagógicas. Precisamos urgentemente repensar nosso papel como educadores nesse novo cenário digital.
    DANDARAH JANINE

    ResponderExcluir
  3. Compartilho da mesma opinião. O texto de Santaella trouxe uma clareza sobre a inteligência artificial, assim como a aula sobre tecnologias digitais. Podemos perceber a importância de saber lidar com essas evoluções tecnológicas e entender melhor como usá-las. O papel do professor jamais poderá ser substituído, por isso é fundamental que eles tenham consciência sobre o uso, visto q a IA já faz parte da educação, mesmo que com algumas lacunas ainda presentes. O texto de vocês ficou explícito sobre o assunto, parabéns!

    ResponderExcluir
  4. A leitura de Santaella é reveladora, principalmente ao mostrar que o problema não está apenas na IA em si, mas nas fragilidades pedagógicas que ela expõe. Isso ficou muito claro na forma como as instituições reagiram inicialmente com medo e proibições, em vez de promover debates e formações.
    Gostei muito da forma como vocês destacaram a mudança de papel do professor. De fato, não somos mais os “donos” da informação, mas sim mediadores do conhecimento, responsáveis por ajudar os alunos a desenvolverem o pensamento crítico.
    Ass: Ana Milena

    ResponderExcluir
  5. Muito bom, meninas! Vocês conseguiram mostrar como a IA consegue ser uma aliada na educação quando usada com consciência. Gostei demais da parte sobre o papel do professor nesse novo cenário. Reflexão que faz pensar! Parabéns!

    ResponderExcluir
  6. Muito bem meninas, você esclareceram perfeitamente aquilo que nos é explícito no texto de de Lúcia Santaella quanto a questão da IA no meio educacional ser ainda algo transformador e assustador. Enquanto professores não possuem uma formação adequada para incluir os avanços tecnológicos na forma de ensino, o cenário estará preso ao desespero pela falta de informação. É importante descartar o quanto a IA tem agregado na questões sociais e educacionais, a fim de auxiliar cada vez mais nas oportunidades didáticas, avançando assim o meio digital.

    ResponderExcluir
  7. Celina e Karine, para dialogar com vocês, importante destacar que historicamente, o receio ou apreensão em relação a uma nova tecnologia é atribuído, pelo menos em parte, à disseminação de discursos extremistas, predominantemente pessimistas, que delineiam como o futuro da humanidade será radicalmente alterado pela inovação tecnológica. E vocês tocam em um ponto importante: nossa função agora é ajudar os alunos a desenvolverem pensamento crítico, saberem questionar, comparar, desconfiar, aprofundar. E aqui, complemento entendendo que dempre foi e deve continuar sendo nosso papel, como educadores, ensinar os alunos a formular perguntas. Precisamos provocar os alunos a serem questionadores críticos, capazes de discernir a confiabilidade das fontes de informação, verificar os fatos e, especialmente em tempos de IA, a não aceitar de pronto tudo que é visto, ouvido ou lido. E isso não se faz quando permanecemos com a concepção da tecnologia com o Ferramenta. A própria Santaella explica que não existe educação sem as mediações tecnológicas que, não devem ser usadas como acessórios ou como meras ferramentas, que conformam os sistemas e os processos educativos como um todo. Pensemos sobre a concepção que vocês estão construindo sobre as tecnologias!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Refletindo sobre software livre e educação: uma escolha o que também é política.

Direito a comunicação: uma construção coletiva que passa pela escola

Nossa visão sobre o documentário Cibernéticas